Nem à direita, nem à esquerda! Um blog equilibrado!

Nosso Tempo




A questão palestina e Israel

Posted by Marcus Cato

Está em todos os meios de comunicação mais um estremecimento na sempre delicada relação entre israelenses e palestinos, causando contrariedade até mesmo ao seu principal e mais forte aliado, os Estados Unidos. A passagem do presidente Lula por aquelas plagas atraiu maior atenção dos brasileiros para o problema. Não vou externar o que acho da pretensão do nosso presidente. Este post é dedicado à uma breve, concisa exposição da questão que envolve estes povos.

Pela mídia vemos que são muitas as opiniões tendendo para um lado e outro. Mas disto tudo, o que pouco tenho visto é alguém falar da manipulação da causa palestina pelos países árabes. A causa do povo palestino (que é legítima!) nos últimos sessenta anos tem sido manipulada inescrupulosamente e criminosamente em especial pelos países árabes, mas também e muito pelas potências ocidentais e naturalmente por Israel, ou como diz minha mãe, é uma panela em que muitos mexem.

Que fique bem claro que não tenho qualquer antipatia pelos povos árabes, ou pela religião por eles professada, mas uma das verdades é esta: O povo palestino tem servido de bucha de canhão para os grupos extremistas do Islã, na sua luta contra o Ocidente. Não creio que esta seja uma visão simplista do problema. Para isto trago esta compilação da sucessão histórica de fatos, que pode muito bem ajudar aos leitores a terem uma visão mais lúcida do quadro no Oriente Médio.

Sei que não faltará quem possa me rotular de sionista. Que fazer! Este é um blog que aceita a diversidade de ideias e opiniões. Agora, o fato é que historicamente, ambos os povos tem todo o direito de viver naquela terra. Falacioso é o discurso de muitos grupos favoráveis à causa palestina, que apregoam aos quatro cantos que Israel estaria cometendo um verdadeiro holocausto. Esse pessoal não sabe o que é holocausto. Está havendo sim um uso desproporcional da força, é verdade, mas por outro lado, ninguém menciona os ataques terroristas de homens bombas, os foguetes lançados contra Israel, e blasfêmia das blasfêmias, a morte de palestinos cometida por grupos rivais, mas isto não interessa divulgar…

Veja você este interessante artigo:

Nakba

No ano de 2008, o Estado de Israel completou 60 anos de existência. Em maio daquele ano, israelenses e palestinos detiveram-se por algumas horas ou dias para lembrar o ano de 1948, quando tudo começou. E mais uma vez a data foi ocasião, para um lado, de festejar e demonstrar força, e, para o outro, de tristeza, luto e sensação de inferioridade. Tanto mais espantoso é que a reflexão também tenha se manifestado pelo lado israelense. Há alguns anos teria sido impensável o que o diário Haaretz publicou sobre o jubileu: “60 anos de nakba, 60 anos de nada”.

Nakba (catástrofe) – esta é a expressão usada pelos palestinos para denominar a data da proclamação de Israel. Naturalmente que o jornal israelense não considera a fundação de Israel uma catástrofe, mas sim o que aconteceu desde aquela época. E também o que deixou de acontecer: o fato de não se ter alcançado a paz.

No último grande jubileu, há doze anos, ainda se estava otimista e se acreditava que o Acordo de Oslo poderia levar a alguma coisa. Mas isso deixou de existir há tempos. Oitenta por cento dos israelenses não acreditam nisso. Entre os palestinos, a porcentagem deve ser maior ainda. Este pessimismo minimiza a história de sucesso que Israel representa em tantas outras áreas: o Estado judaico não só se tornou a nova pátria para centenas de milhares de sobreviventes do Holocausto, mas também se desenvolveu em um país moderno e progressista -apesar de todas as bizarrices sociopolíticas, é uma democracia viva, o país líder na região nos setores da ciência e da medicina, com um bom desempenho econômico e seu exército é – ainda – o mais forte.

Mas de que servem todos estes avanços se falta a paz, que seria a precondição para finalmente poder gozar tudo isso? Os 62 anos da história de Israel estão repletos de chances perdidas na busca pela paz. Chances estas perdidas por ambos os lados. Assim como os palestinos – e com eles o mundo árabe -, que por tempo demais rejeitaram qualquer idéia de paz e reconhecimento, também por todos os governos israelenses que preferiram confiar na força militar em vez de apostar na diplomacia e na disposição de fazer concessões. Em Israel costuma-se freqüentemente lembrar os “três nãos” dos árabes após a Guerra dos Seis Dias: “não” às negociações com Israel, “não” ao reconhecimento de Israel, “não” à paz com Israel. Mas também Israel tem uma longa lista de “nãos”: por muito tempo não se quis reconhecer os palestinos como um povo. Depois a idéia de um Estado palestino seria rejeitada. Hoje, os principais tabus para Israel são a questão do retorno dos refugiados e um consenso sobre Jerusalém. Isto para citar apenas os “nãos” mais importantes. Outra “catástrofe” para ambos os lados: eles estão constantemente tratando de fazer voltar a roda da história.(rw)
Fonte: Peter Philipp é chefe da equipe de correspondentes da Deutsche Welle e especialista em Oriente Médio.

A história de um conflito

041israel6(http://www.jjphoto.co.za)

O confronto entre israelenses e palestinos ganha, a cada dia, capítulos repetidos de violência, intolerância e revanchismo, suspensos apenas por breves períodos de trégua. Apesar da atuação da comunidade internacional e das repetidas tentativas de negociação, o ciclo de violência parece nunca terminar. Em agosto de 2005, por exemplo, Israel promoveu uma retirada total da Faixa de Gaza – só para, meses depois, voltar com suas tropas em busca de um soldado seqüestrado por milícias palestinas. Foi mais um passo para trás no processo de paz iniciado em 1991, que determina a devolução de Gaza e, futuramente, da Cisjordânia.

A problemática na Palestina é muito anterior a esses distúrbios. Para compreende-la, é necessário viajar no tempo e retroceder ao menos até a formação do moderno Estado de Israel, em 1947, e mais ainda, até as Cruzadas e a Antiguidade – onde foram depositadas as sementes da discórdia entre povos e credos. Aquelas passagens nos ajudam a entender por que viver na Palestina é uma questão tão importante para palestinos e israelenses.

041oriente-medio

Judeus e cristãos

A localização geográfica da Palestina favoreceu a que a região se tornasse um ponto importante e ao mesmo tempo problemático do Mundo Antigo: o território é um cruzamento de rotas entre Europa, África e Oriente Médio. Segundo os historiadores, as primeiras grandes disputas locais se deram entre palestinos, filisteus e hebreus. No século VII a. C., o antigo reino de Israel passou para o domínio da Babilônia, um império da região da Mesopotâmia, onde hoje fica o Iraque. O resultado desta batalha foi o primeiro êxodo de judeus, levados para a Babilônia, e a destruição de Jerusalém.
Nos séculos seguintes, o território passou pelo domínio de persas (539 a.C.), macedônios (331 a.C.), entre outros, até voltar às mãos dos judeus, entre 142 a.C. e 63 a.C.: naquele período, a dinastia judaica dos Asmoneus estabeleceu sede em Jerusalém. Porém, a maior parte do povo já havia se dispersado pelas regiões próximas. Finalmente, em 63 a. C., a Palestina foi anexada por uma força irresistível: o Império Romano. Houve revoltas e novo êxodo. Com o crescimento do cristianismo – tornado culto oficial em todo o Império no século IV -, a região tornou-se local importante também para cristãos. Durante os séculos seguintes, a maior parte da população passaria a ser formada por seguidores de Cristo.

Árabes e Islã

No ano de 638, a Palestina passou ao domínio dos árabes muçulmanos, que se sucederam em diversas dinastias. Uma das mais importantes foi a dos Omíadas, que, entre outros marcos, ergueu em Jerusalém o Nobre Santuário na Esplanada das Mesquitas, onde antes ficava o Templo de Jerusalém dos judeus. A cidade passou então a ter enorme valor simbólico para as três grandes religiões monoteístas. Para os judeus, é a cidade do rei Davi e onde o Templo foi construído para guardar a Arca da Aliança. Para os muçulmanos, é o lugar do qual o profeta Maomé ascendeu aos céus. Para os cristãos, foi o palco da paixão de Cristo e de seu sepultamento.
A presença árabe muçulmana influenciou, é claro, a vida local: costumes foram incorporados pela população, mas a assimilação da nova religião deu-se de maneira menos intensa, dizem os historiadores. Depois de um período de coexistência harmônica, islâmicos e cristãos iniciariam choques violentos pelo controle da “sagrada” Jerusalém. Reinos europeus católicos enviaram milhares de soldados e famílias para conquistar a cidade e povoa-la. Organizada com o intuito declarado de arrancar o túmulo de Cristo das mãos dos “infiéis”, a primeira Cruzada terminou, em 1099, com a tomada de Jerusalém.
Em 1187, porém, os muçulmanos reconquistaram suas posições. Batalhas sangrentas e trocas de comando se seguiram. Por fim, os muçulmanos ficaram, promovendo uma intensa islamização da Palestina. Nos séculos seguintes, a população se tornaria islâmica em larga proporção – depois vinham cristãos e judeus, pouco numerosos.

Sionismo

No final do século XIX começou a gestação do futuro da Palestina. Por um lado, o Império Turco Otomano, que conquistara a região em 1517, começa a ruir, abrindo brechas para uma nova organização da região. Simultaneamente, no rastro da afirmação dos Estados nacionais, cresceu um movimento internacional em favor da criação de um “lar para os judeus”. Seus seguidores defendiam que uma nação judaica seria a única forma de assegurar a sobrevivência da uma cultura e uma fé oprimidas e dispersas pelo mundo. Nasceu, assim, o movimento sionista – termo derivado de Sião, um dos nomes de Jerusalém na Bíblia.
De início, não havia a determinação de que o “lar judaico” fosse estabelecido na Palestina: pensou-se até na Argentina. A escolha recaiu sobre a região do Oriente Médio tanto por razões religiosas quanto por circunstâncias geopolíticas. Do ponto de vista religioso, a Palestina fora a Terra Prometida por Deus aos judeus. Assim, o sionismo tornou-se uma promessa entre os judeus de muitas partes da Europa, que sofriam perseguições e pilhagens em muitos países. Entre 1881-1884 e 1903-1906, chegaram à Palestina as primeiras grandes levas vindas da Europa oriental. Já do ponto de vista econômico e político da época, a escolha da Palestina enquadrou-se nos projetos coloniais de Grã-Bretanha e da França, empenhadas na partilha do Império Otomano.

Mandato britânico

Ao contrário do que se costuma pensar, a moderna crise da Palestina não foi exclusivamente determinada após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945): na verdade, o primeiro conflito mundial (1914-1918) é que foi fundamental na configuração do quadro existente no Oriente Médio. E, naquele cenário, os britânicos foram os protagonistas. Ao final da Primeira Guerra, a Grã-Bretanha tratou de usar seu poder de potência aliada para desmantelar o Império Turco, aliado da derrotada Alemanha. Segundo o plano, a Palestina deveria fazer parte de um novo território árabe, mas a França e a própria Grã-Bretanha acabaram por defender a internacionalização da área – o que acabou ocorrendo. Ao mesmo tempo, os britânicos prometeram a líderes do movimento sionista que promoveriam o estabelecimento do tão esperado “lar” para os judeus. Vale observar que, em 1918, a Palestina tinha 700.000 habitantes: 644.000 árabes (574.000 muçulmanos e 70.000 cristãos) e apenas 56.000 judeus.
Encerrada a guerra, a região passou à administração britânica (1922-1948). Naquele período, o movimento sionista aproveitou a infra-estrutura administrativa e econômica britânica para acelerar a formação de seu Estado. Para isso, intensificou a imigração dos judeus da Europa oriental e central, em três fluxos: 1919-1923, 1924-1928 e 1932-1940. A mudança no perfil da população local foi evidente: em 1931, havia cerca de 170.000 judeus entre pouco mais de 1 milhão de palestinos; em 1946, já eram 800.000, quase 50% da população total.

Guerra

Em 1937, ao perceber que os palestinos não aceitariam viver em uma nação dos judeus, os britânicos propuseram a divisão da Palestina em dois Estados – um árabe e o outro judaico. Dez anos depois, a ONU retomou a idéia. No dia 14 de maio de 1948, os líderes dos habitantes judeus da Palestina se reuniram no museu da ainda jovem cidade de Tel Aviv, a fim de tornar realidade o sonho que os imigrantes judeus tinham alimentado nas décadas anteriores: criar um Estado judeu nos moldes propagados pelo pai do sionismo político, Theodor Herzl. O momento havia chegado: poucas horas antes de terminar o mandato britânico na Palestina e do alto-comissário deixar a região, David Ben-Gurion anunciou a criação do Estado de Israel.
BenGurion
Ben Gurion ao proclamar o novo Estado judeu em 1948

Mas os israelenses logo perceberam que o sonho de Israel de fato nada mais foi que a passagem de um pesadelo para outro: da perseguição e destruição na Europa ao conflito latente e à ameaça declarada à sua existência. Durante décadas, o Oriente Médio negou-se a aceitar a existência e o direito de existência de Israel, cujo dia de independência é visto até hoje como nakba, termo árabe que denomina catástrofe.

Granadas pós-júbilo

Em poucas horas, a felicidade com a criação do Estado próprio foi silenciada pela explosão de bombas e granadas, e Israel se viu diante de sua primeira guerra. Os membros da recém-fundada Liga dos Países Árabes esperavam poder exterminar o que, a seu ver, havia sido causado pelo Ocidente: pelos britânicos através da Declaração de Balfour de 1917, que assegurava apoio à criação de uma pátria judaica; pelas Nações Unidas, através da resolução de 1947 sobre a divisão da Palestina; e principalmente pelos Estados Unidos, que apoiavam ativamente a fundação do país.

Contra todas as expectativas, o plano árabe falhou e Israel pôde até expandir suas fronteiras para além das linhas definidas pela ONU. Mais de 750 mil palestinos foram forçados a deixar sua pátria – por temerem por suas vidas ou por terem sido expulsos. Sessenta anos depois, eles somam 4 milhões de pessoas e continuam sendo o problema central do conflito.

A derrota de 1948 ainda é um tema sensível no mundo árabe, talvez em todo o mundo islâmico, onde o resultado é contestado com promessa de vingança. Incapazes de aceitar a derrota diante do pequeno adversário, transferem a culpa para o Ocidente. Daí surgiu a lenda na qual se apóiam até hoje grupos radicais e demagogos: Israel nada mais seria que um posto avançado do Ocidente antiárabe e antiislâmico na região – tal qual o foram os cruzados.

Interesse comum

Adversários de Israel freqüentemente encontram confirmações para tal tese. Por exemplo em 1956, quando o país tratou de assuntos de interesse comum com franceses e britânicos: os europeus, interessados no Canal de Suez; os israelenses, em garantir a segurança de suas fronteiras com o Egito. Com o conflito entre Ocidente e Oriente de pano de fundo, Egito, Síria e Iraque se aliaram a Moscou, contribuindo para estreitar ainda mais os laços entre os EUA, Israel e países árabes conservadores.

A Guerra dos Seis Dias

A principal mudança se deu durante a Guerra dos Seis Dias de junho de 1967, quando o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, ignorando as ameaças de Israel, ordenou o fechamento do Estreito de Tiran, justificando assim um ataque preventivo por parte de Israel. Nem a intervenção da Síria e da Jordânia pôde evitar que Israel conquistasse, em apenas seis dias, toda a península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e as Colinas de Golã, na Síria.

Com isso, Israel passou a controlar toda a Palestina histórica. Muitos em Israel esperavam um “telefonema de Amã ou do Cairo”, oferecendo a paz em troca da devolução de territórios ocupados. Mas os telefones não tocaram. Em vez disso, a Liga dos Países Árabes declarou em Cartum suas três negativas: não haveria reconhecimento de Israel, nem negociações e muito menos paz com os israelenses.

041foto_sharon2
1973: o general Moshe Dayan (e) com Ariel Sharon na Guerra do Yom Kippur

Paz com o arquiinimigo

Em 1973, durante a Guerra do Yom Kippur, tropas egípcias e sírias causaram grandes estragos em Israel e os árabes conseguiram reinflar sua autoconfiança ferida. Porém, esta guerra não teve um vencedor, o que permitiu então ao presidente egípcio Anuar Sadat, que havia se voltado ao Ocidente, lançar uma iniciativa de aproximação que em 1979 levaria à paz de Camp David. Os palestinos poderiam ter usufruído de tal acordo de paz. No entanto, encorajados pelo mundo árabe, a recusaram.

Outros 14 anos se passariam até que Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), sob o comando de Yasser Arafat, assinassem o Acordo de Oslo em 1993, que determinava a retirada das tropas israelenses dos territórios ocupados e a fundação de um Estado palestino. Agora, os principais grupos palestinos estavam dispostos a aceitar a solução de dois Estados recomendada pela ONU em sua partilha 46 anos antes.

041RABIN_AR(2)
1993: Rabin, Clinton e Arafat acertam em Washington detalhes do Acordo de Oslo (imagem: http://www.estadao.com.br)

O assassinato de Rabin

Mas houve resistência por parte de Israel. Os nacionalistas do partido Likud, liderado por Benjamin Netanyahu, falavam em traição à pátria histórica, pois viam toda a Palestina como “Eretz Israel“, a nação bíblica que lhes pertencia. Eles alertavam contra os perigos que significaria a desistência dos territórios ocupados por Israel.
O premiê Itzak Rabin, que assinara o Acordo de Oslo, foi assassinado e, pouco tempo depois, Netanyahu foi eleito. Israel passou a sabotar cada vez mais a implementação dos termos previstos em Oslo. À crise política em Israel, somou-se a crescente insatisfação entre os palestinos.

Permanente conflito

Desde o histórico acordo de 1993, o processo de paz atravessou inúmeras paralisações. Em 2000, explodiu a segunda Intifada, revolta palestina contra a ocupação israelense, que desaguou em repressão das forças de segurança de Israel nas ruas palestinas e também em ataques à bomba contra civis israelenses. Os anos seguintes foram repletos de agressões de ambos os lados. Sangrentos atentados suicidas mataram centenas de civis israelenses em diversas cidades, com as facções radicais Hamas, Hezbollah, Brigadas de Mártires de Al Aqsa e Al Jihad se alternando na execução. Arafat perdera claramente o controle dos grupos nacionais. Israel, por seu lado, não acreditava que o líder palestino havia mesmo desistido de ações violentas – no passado, ele defendera a aniquilação de Israel.
Israel, sob o braço forte do primeiro-ministro Ariel Sharon, um ex-militar, respondia com truculência, matando terroristas, suspeitos e, muitas vezes, suas famílias e vizinhos. A tática foi apelidada de assassinatos seletivos e envolveu também a demolição de casas em zonas palestinas. A ação encurralou até mesmo o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Arafat, que permaneceu mais de uma vez sitiado em seu quartel-general em Ramallah. Na pior delas, passou quase um mês sob a mira de tanques. O líder palestino enfrentou ainda uma ameaça de extradição.

Troca de guarda

A entrada do novo milênio coincidiu com mudanças nas lideranças de israelenses e palestinos. No fim de 2004, morreu Arafat; pouco mais de um ano depois, Sharon afastou-se por motivo de doença. Ambos eram antigas lideranças. Em seus lugares, assumiram, respectivamente, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), e Ehud Olmert, primeiro-ministro israelense. Os contatos entre os novos atores continuam ásperos, interrompidos por arroubos de violência de milícias sem controle. Com o Hamas, que desde junho de 2007 controla a Faixa de Gaza, as relações de Israel são ainda mais difíceis.
Portanto, apesar de alguns avanços, ainda resta muito a fazer pela solução da crise entre israelenses e palestinos. As principais pendências para o futuro são: o controle de Jerusalém, reivindicado ao menos parcialmente pelos dois lados, a separação política de palestinos entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, e a formação de um estado palestino.

Fim das concessões

Com muito esforço, as negociações foram retomadas após a morte de Arafat – no entanto, sem trazer nenhum resultado. Na Palestina, os adversários da reconciliação voltaram a ganhar influência e, no começo de 2006, os islamistas do Hamas – vencedores das eleições – se recusaram a aceitar a existência de Israel e a reconhecer o Acordo de Oslo.
Especialmente no oeste, os palestinos ficam cada vez mais isolados e Israel encontra um pretexto para não fazer mais concessões. Principalmente na Faixa de Gaza, a situação se assemelha a uma guerra declarada.
Fonte: Peter Philipp para a Deutsche Welle
.
Related Posts with Thumbnails

Veja também:

2 Trackbacks/Pingbacks

  1. 14 02 11 01:46

    Governo do Egito: Esperança de Israel está nas Forças Armadas « Toni Gumauskas

  2. 13 09 11 09:07

    A questão Palestina: Obama, o Nobel da Paz mostra sua covardia « Toni Gumauskas

4 to “A questão palestina e Israel”

  1. El Valle says:

    Thank you for the interesting read! Alright playtime is over and back to school work.

  2. Kagi says:

    Very informative. It’s very kind of you to post this article. We like to read your posts. They are well written and informative. You articles are worth a read.

  3. Ronny Calling says:

    O que tem a dizer o autor deste artigo se em uma bela madrugada um extrangeiro, batesse em sua porta, e quando você a abrir, ele toma conta deu lar, expulsa você e sua família e diz que aquele lugar sempre lhe pertenceu?
    Não é isto que está acontecendo no mundo árabe?
    Israel por outro lado é a estrela numero 51 da bandeira americana. Anualmente, os USA enviam tres bilhões de dólares em armamentos para Israel. E então os americanos do norte se esquecem de pagar suas contas, seus débitos. E a cada ano fica pior.
    Diga-me senhor autor, porque Israel e os Estados Unidos são os dois países mais odiados do mundo? Falo do mundo, não só do mundo árabe. Deve haver um bom motivo, não achas?
    Pense nisto!

    • Marccato says:

      Prezado Ronny,

      Pelo que percebo, ao escrever seu comentário (que sempre será bem acolhido!) houve muito mais o seu propósito de externar o seu ponto de vista já pré-concebido, do que propriamente avaliar com isenção o texto do artigo.

      Embora não sendo o autor dos textos anexos ao post acima, sinto-me na obrigação de refutar sua opinião, pois se não os escrevi, responsável sou pela publicação, mesmo tendo previsto que certamente este tipo de posicionamento aconteceria.

      Não está presente nos textos qualquer tomada de posição, muito menos uma que seja manifestamente a favor de Israel. Na verdade, pode-se dizer que ele é bastante didático, fornecendo um retrato, que se não preciso, bastante correto e isento de toda a trajetória histórica daquela conturbada região.

      Dê-se ao trabalho de fazer uma releitura! Agora, o que neste blog você não verá, é a tomada de posição baseada em convicções extremadas e falaciosas, ou que sigam o ‘mainstream‘ esquerdizante que infesta a blogosfera.

      Saudações



Leave a Reply

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.


Get Adobe Flash player


↑ Top
SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline

Nosso Tempo is Stephen Fry proof thanks to caching by WP Super Cache